Crônicas de um louco imaginário

Mais um Post para a Categoria “Venha ser Cool você também” 😀 Conto do Nosso Amigo Nichollas Magalhaes

1º as aventuras de Yuri

Em uma cidadezinha do interior do estado da Califórnia, um jovem tímido se esconde junto as grandes prateleiras da biblioteca municipal. O lugar era enorme, pois todos os livros que eram descartados das outras cidades eram enviados para lá. As prateleiras estavam lotadas de livros surrados, rasgados e pisoteados, mas cada um possuía sua vida e personalidade e muita historia para contar.

Mesmo tendo uma biblioteca tão farta, as pessoas da cidade não ligavam muito para leitura. Mas em meio às enormes prateleiras e poeira, você podia encontrar Yuri, um adolescente que nasceu com um dom incrível, desejado por muitos por todo o mundo. Mas Yuri não sabia que ele era o único a possuir aquele dom fantástico: ele podia, através da leitura, entrar na historia dos livros que lia.

Yuri passava grande parte do dia no final da terceira prateleira, da esquerda pra direita, num canto escuro, onde a única coisa que o auxilia a leitura era um cotoco de vela que ele zela para que não se apague com a sua respiração. O bibliotecário, Sr. Jones, um velho que mesmo só tendo Yuri pela biblioteca resmungava ao vê-lo entrar para mais uma leitura. O velho zelava pelo lugar como se fosse sua propriedade e tudo fosse feito de ouro. Ele não deixava que Yuri levasse nenhum livro para casa e revistava o garoto sempre que ele ia embora, mas o garoto tímido nem ligava para a falta de educação do bibliotecário e sempre voltava para continuar sua leitura.

Ninguém sabia, mas Yuri através de seu dom havia participado de batalhas, mistérios envolventes e auxiliado em alguns romances. Mas a aventura que irei narrar hoje foi a maior de todas as aventuras que o garoto já haverá se metido.

 Foi em uma tarde de uma quarta feira, Yuri acabara de ler um romance e estava apto a encarar uma grande aventura.  Procurou e procurou em meio às grandes prateleiras algo que lhe chamasse a atenção. Quando um grande livro vermelho no topo da ultima prateleira o deixou curioso, correu ate o fim da prateleira e pegou a escada e veio puxando-a ate próximo do livro. Quando subiu no primeiro degrau da escada, ela balançou, mas Yuri prosseguiu ate chegar no meio da escada onde ele olhou para baixo e a escada sacudiu de novo. Aquilo lhe deu um pouco de vertigem mais ele não desistiu. Subiu o resto, agarrou o grande livro vermelho e desceu os degraus rapidamente. Quando chegou ao chão se assustou ao dar de cara com o Sr. Jonas. O velho apenas olhou para as mãos do garoto, o encarou e se virou resmungando.

– Tenha mais cuidado com a escada na próxima.

– Sim senhor.

Respondeu o garoto, ainda assustado. Nunca vira o velho sair daquela cadeira pra nada. Após alguns segundos tentando entender o ocorrido, Yuri correu para o seu cantinho favorito onde passou sua mão por cima da capa do livro e pode ver o desenho de uma bola azul e escrito bem falho em baixo “Leviatã”. O garoto então abriu o livro e notou que o seu estado estava critico. Suas folhas estavam manchadas e umas rasgadas por marcas de unhas. Ele folheou o livro ate encontrar o primeiro capitulo, onde estava escrito “Em busca da besta marítima”. As letras estavam estranhas, ate pareciam ser um manuscrito. Com um pouco de dificuldade, o garoto foi lendo em voz baixa.

– As velas sacudiam, os ventos até pareciam brincar conosco, a tripulação gritava uma canção estranha e confusa em meio aos trovões.

– O que esta acontecendo? O que…?

– Levante daí, seu verme imundo.

– O que onde estou?

– Haha! Você esta abordo do temido Old broken skull. Agora levante-se daí, seu imprestável, e vá lavar o convés, pois quero meu navio limpo para batalha que se aproxima.

O garoto se levantou, e logo lhe jogaram um esfregão e um balde velho de madeira furado, amarrado a uma corda.

– Toma moleque! Jogue o balde no mar e puxe-o de volta. Jogue a água no convés e esfregue bem, pois essa merda de gaivota não sai fácil. Hehe.

O pobre, sem entender tudo aquilo, enquanto puxava e esfregava lembrou-se que estava dentro do livro, então deu um sorriso tímido e disse baixinho.

– Que comece mais uma aventura.

Um marujo que passava ao seu lado ouviu e respondeu.

– Tolo! O máximo que conseguira nesse navio é ir direto para sua morte.

Yuri fingiu não ouvir o que ele dissera e continuou a esfregar. Realmente tirar coco de gaivota não e fácil, mas ele estava conseguindo. Sempre que terminava de limpar de um lado, um marujo derrubava algo e sujava de novo. Aquilo já estava estressando o garoto, mas sem reclamar ia lá e limpava de novo. Quando a noite se aproximava, o garoto já terminara de limpar todo o navio. Quando o crepúsculo surgira, o capitão saiu de sua cabine e gritou.

– Parem, suas moças imprestáveis!

Risadas tomaram o navio.

– Logo pela manha, nos aproximaremos da ilha da neblina. Iremos ancorar para buscar água e alguns mantimentos. Como todos já sabem, a ilha da neblina é misteriosa, não sabemos o que encontraremos lá, então não fiquem tão felizes por irmos a terra firme, pois talvez não passaremos nem uma hora lá. Agora estão dispensados, vermes imundos.

 O navio se tornou festa. Todos os marujos começaram a pular e cantar. Alguns carregavam caixotes de onde tiraram varias garrafas de rum e então começou a festa. Todos gritavam e bebiam. Yuri se perdia em meio aquela algazarra mas estava se divertindo. A festa durou ate de madrugada, onde todos já estavam caídos de tão bêbados. Yuri estava sentado próximo ao leme, ficava olhando o mar imaginando que tipo de aventura o aguardava,  pois ele nunca estivera em um navio pirata antes. Um relâmpago iluminou o céu, o vento aumentava a sua força, a bandeira flamulava tão ferozmente que rasgava alguns fragmentos do pano. O navio estava em completo silencio, apenas se ouvia o som do mar e do vento, e o nosso pequeno Yuri apenas ficava ali sentado perdido em pensamentos.

Continua…

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E-mail: cooolstuffs@live.com

Nichollas Magalhaes

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2 respostas em “Crônicas de um louco imaginário

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